Amídala, Memória e Emoções “Negativas”



Resumo da Pesquisa

A amígdala parece ser necessária para melhorar a memória a longo prazo quando associada a eventos

emocionalmente excitantes. Investigações recentes de imagens cerebrais apoiam esta visão e indicam

que existe uma lateralização hemisférica relacionada com o sexo (masculino/feminino) na relação da

amígdala com a memória em relaçao ao emocional (na pesquisa focada nas imagens que geraram

emoções negativas). Homens e mulheres saudáveis foram submetidos a Ressonância Magnética Funcional

(fMRI) enquanto visualizavam uma série de slides padronizados que foram classificados pelos sujeitos

como variando de emocionalmente neutros a altamente excitantes (negativamente). Duas semanas

depois, a memória para as lâminas foi avaliada num teste de reconhecimento incidental. Os resultados

demonstram uma relação significativamente mais forte nos homens do que nas mulheres entre a

atividade da amígdala do hemisfério direito e a memória para as lâminas julgadas como excitantemente

negativas, e uma relação significativamente mais forte nas mulheres do que nos homens entre a atividade

da amígdala do hemisfério esquerdo e a memória para as lâminas excitantantemente negativas.

Os pesquisadores apenas usaram conteúdo imagético que geravam emoções consideradas negativas.

Uma ANOVA confirmou uma interação significativa entre o sexo e o hemisfério relativo à função da

amígdala na memória. Estes resultados fornecem a evidência mais forte, até à data, de uma lateralização

hemisférica relacionada com o sexo (masculino/feminino) na função da amígdala com a memória em

relação ao material emocional. Além disso, sublinham a opinião de que as investigações dos mecanismos

neurais subjacentes à memória emocionalmente influenciada devem antecipar e começar a ter em conta

a influência aparentemente substancial do sexo.

A amígdala parece estar envolvida de forma crucial no reforço da memória associada a eventos

emocionalmente excitantes, tanto em estudos de temas animais (McGaugh 2000) como humanos (Cahill

2000). Por exemplo, a atividade da amígdala humana durante a codificação de material excitante

relaciona-se significativamente com a memória a longo prazo desse material, mas não com a memória do

material não excitante (Cahill et al. 1996, 2001; Canli et al. 1999, 2000, 2002; Hamann et al. 1999). Em

contrapartida, as lesões das amígdalas bilaterais reduzem ou abolem a memória a longo prazo associada

à excitação emocional, embora não afectem a memória em relação ao material relativamente neutro,

nem as reacções emocionais per se, para o nascer de estimulações (Cahill et al. 2000).

Mais recentemente, a evidência de imagens do cérebro humano começou a revelar uma lateralização

hemisférica da função amígdala relacionada com o sexo, no que diz respeito à memória para material

emocionalmente excitante. Por exemplo, tanto numa investigação da glucose PET (Cahill et al. 2001) como

numa investigação da fMRI (Canli et al. 2002), a actividade da amígdala do hemisfério direito, mas não

esquerdo, relacionou-se significativamente com a memória incidental a longo prazo para material

excitante em homens mas não em mulheres, enquanto que a actividade da amígdala do hemisfério

esquerdo, mas não direito, relacionou-se significativamente com a memória para material excitante em

mulheres mas não em homens. Como observado recentemente por Pizzagalli e colegas (2003), tais

afirmações sobre a função lateralizada da amígdala "requerem uma replicação sistemática". Desde que

tal replicação fosse o primeiro grande objectivo do presente estudo.

Conclusão da pesquisa e minha compreensão do que foi estudado

Essa pesquisa me mostrou a relação direta entre “emoções excitantes”, sexo (masculino/feminino) e memória a longo prazo. Significa que para os homens a amídala ao decodificar uma emoção excitantemente negativa trabalha mais o lado direito e na mulher o mesmo ocorre no lado esquerdo. Isso é diferente de afirmar que no mesmo individuo, seu cérebro usa mais o lado esquerdo ou direito. Não. Essa pesquisa aponta que nos homens a amídala irá trabalhar em um hemisfério oposto das mulheres em condições especiais (emoção negativa).

A amídala ao trabalhar nesses hemisférios ao decodificar essa emoção gera uma mudança em relação a memória ao longo prazo dessa emoção. Isso significa que emoções consideradas neutras ou não excitantes tem uma relação diferente com a memória a longo prazo do que as emoções mais excitantes.

Ou seja, memórias negativas a longo prazo são “abertas” ou melhor, “assessadas”, pela amídala quando essa precisa codificar uma emoção negativa no presente. É papel da amídala trazer essa memória a longo prazo para codificar essa informação. Contudo, não é papel da amídala despertar a reação a essa memória no indivíduo. Elas apenas capta essa informação na memória a longo prazo e decodifica em forma de pensamento, ao mesmo tempo que armazena essa informação na memória a longo prazo. Os pesquisadores não puderam afirmar se o mesmo ocorre quando nos submetemos a imagens/emoções positivas.

Quando a amídala esta processando as informações de material mais excitante ela se relacionada de forma diferente com a memória a longo prazo, quando comparado com as demais emoções (neutras e não excitantes). Isso, para mim, vem confirmar o conhecimento do Avatar, passado pela Vovó Maria Conga e os demais mentores, ao dizer que existe uma memória - que podemos usar o termo longo prazo de nossos ancestrais e evolução humana- que leva o nosso cerébro a reagir de maneira diferente quando estamos submetidos a emoções excitantes, ou seja, qualquer emoção que nos tira de uma zona de conforto/equilíbrio.

A pesquisa mostrou outro ponto interessante. Quando a amídala sofre lesões laterais é reduzido ou abolido a memória a longo prazo associado com o excitamento emocional. Isso significa que quando existe uma lesão em um dos hemisférios cerebrais, a maneira com que a amídala se relaciona com a memória a longo prazo e a decodificação das emoções excitantes é diretamente afetado. Porém, no mesmo cenário de lesão, a amídala não sofre tanto no processamente de emoções neutras ou não excitantes.

Isso nos mostra que a resposta do cérebro, quando lesionado, não consegue processas as informações da memória ao longo prazo para entender como codificar aquela emoção. Com isso, o cérebro tem menos poder de controle ou reação quando submetido a emoções excitantes. Isso pode levar os indivíduos a dificuldades de manejar ou reagir em ambientes que acionem tais emoções excitantes.

Os resultados dos cientistas apontam que as mulheres classificaram as imagens como mais excitantes do que os homens. Somente nas imagens consideradas de alto grau de excitamento é que foi percebido um desempenho na memória diferente entre homens e mulheres. Se pensarmos, isso significa que a mulher tem mais aflorado a relação com emoções mais excitantes e isso afeta diferentemente a memória entre homens e mulheres quando submetidos as mesmas.

Em relação aos homens, a pesquisa provou que eles se retem mais quando submetidos a essas imagens excitantes do que as mulheres. Como eles se retem conseguiram lembrar mais das imagens classificadas

como excitantes ou extremamente excitante do que as mulheres. Como elas foram mais afetadas pela emoção das imagens em relação a suas amídalas, a memória delas foi mais afetada que os homens.

Ambos, em contrapartida, lembraram mais das imagens excitantes ou extremamente excitantes do que as imagens neutras.

O que isso nos diz? A nossa memória a longo prazo tem uma relação direta com as emoções. Homens e Mulheres guardam mais as memórias de emoções excitantes do que emoções neutras. Nos recordamos mais daquilo que nos afetou no emocional, do que das emoções corriqueiras ou ditas “normais”. Nosso cérebro para lidar com tais emoções se reporta a essa memória a longo prazo para decodificar essas informações, fazendo com que nosso cérebro ative reações passadas dessas memórias para conduzir o nosso agir.

Por isso no Avatar é nos dito o tempo inteiro para sairmos dessa memória presente do mundo ou da memória passada da linha do tempo. Por que ela condiciona a nossa maneira de interpretar as emoções. Mesmo que exista uma diferença entre o homem e a mulher nesse funcionamento da amídala, ambos são afetados dentro de suas particularidades.

Nas mulheres, a amígdala do hemisfério esquerdo, mas não do direito, demonstrou maior sinal dependente do nível de oxigênio no sangue (BOLD) com melhor desempenho de memória e aumento das classificações de excitação do que ocorreu nos homens. Em contraste, nos homens, a amígdala do hemisfério direito, mas não a esquerda, demonstrou um sinal BOLD maior com um melhor desempenho de memória e um aumento da capacidade de excitação do que o ocorrido nas mulheres. Além disso, a activação significativa da amígdala foi mais medial nas mulheres do que nos homens, com o pico de activação localizado 4 mm mais medialmente nas mulheres do que nos homens.

Isso nos mostra que o oxigênio, fator primordial na memória, aumenta seu volume no lado esquerdo do cerébro feminino quando submetido a emoções excitantes. No homem, essa concentração de oxigênio trabalha mais do lado direito quando submetido a tais emoções. A amídala e o oxigênio, portanto, tem uma relação direta no processamento da memória, confirmando que o ato da respiração concentrada e profunda ativa a memória do cérebro e pode ajudar, homens e mulheres, a processor melhor as informações emocionais.

Assim, os homens mostraram activações significativas (P < 0,001) incluindo o hipocampo anterior direito, globus pallidus direito, parietal lateral bilateral, e córtex frontal direito. Quatro em cada seis activações significativas em homens estavam localizadas no hemisfério direito. Em contraste, todas as activações significativas detectadas em mulheres estavam localizadas no hemisfério esquerdo, incluindo o cingulado posterior esquerdo, o giro temporal médio esquerdo e o córtex parietal inferior esquerdo.

Como os próprios cientistas afirman na pesquisa, as nossas conclusões não indicam que a amígdala do hemisfério esquerdo nos homens e a amígdala do hemisfério direito nas mulheres não têm função(ões) na memória. Indicam apenas que existe uma lateralização significativa destas funções, pelo menos no que diz respeito a decodificação da amídala em relação a emoções excitantes e memória a longo prazo.

Concluímos portanto que a nossa memória é emocionalmente influenciada e que é papel da amídala decodificar essa emoção no nosso banco de memória a longo prazo. Nos fazendo repensar nos pensamentos e memórias que ativamos quando estamos em frente a uma imagem negativa, a emoção considerada fortemente negativa. O nosso cérebro acessa um banco de outras memórias negativas e os traz a tona.

O que sigificaria essa relação dos homens com o lado direito e as mulheres com o esquerdo, nesse cenário específico? Uma hipótese dos pesquisadores – mas que precisa de mais pesquisa- é a de que o lado direito processaria mais as informações globais e o lado esquerdo as informações locais. Ou seja, os homens acessariam memória, informações, mais amplas ao lidar com essas emoções e as mulheres ficariam mais focadas nas experiências locais. Porém, mesmo que a hemisferação seja comprovada, o porque dela ocorrer de forma diferente dependendo do gênero precisa de mais pesquisas científicas.

Título: Sex-Related Hemispheric Lateralization of Amygdala Function in Emotionally Influenced Memory: An fMRI Investigation

Link para a pesquisa: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC419728/

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