Ver além de ....

Atualizado: Mar 26


Hoje a aula do Avatar 2.0, e aliás todas as aprendizagens da Egrégora Cria Ti na Luz, têm-me levado a profundas reflexões, e sobretudo a um maior sentido de responsabilidade de fazer no meu dia a dia todas as transformações e aplicações práticas desse saber que vou adquirindo. Tenho sentido cada vez mais uma certa inquietude, porque penso se estarei à altura do que a Egrégora propõe. Um dos desafios que sinto que a vida me impele a fazer e que a Egrégora nos coloca é o de Ver além de.... Foi aceitando esse desafio que compilei este documento, que não é senão uma pequena reflexão que fiz. Esta reflexão baseou-se na aula de hoje do Avatar 2.0, e de um filme que vi na Netflix, na noite anterior à aula por coincidência. Se é que coincidências existem... Este filme da Netflix Noé, como descrito no guião, é uma adaptação da história de Noé e da visão do Apocalipse. Foi uma sincronicidade curiosa ver este filme antes da aula do Avatar 2.0, e teve um impacto muito grande sobre tudo o que foi dito durante a aula.

O filme Noé da Netflix, com Russel Crowe, é uma metáfora sobre a história da Humanidade que começa com o Jardim do Éden, Adão e Eva, a Maçã e a Serpente.

Adão e Eva eram seres perfeitos que viviam no paraíso. E o Jardim do Éden era em si mesmo um lugar perfeito, criado pela mão de Deus. Contudo, Adão e Eva, ao serem tentados pela serpente e ao caírem em tentação comendo a maçã, foram corrompidos, e assim começou a desgraça da Humanidade: foram expulsos do Jardim do Éden. A partir daí começaram as doenças e guerras entre irmãos (que começou com Caim e Abel), lutas entre homens e mulheres, e guerras entre as nações. Quando esta corrupção e maldade humana atingiu o seu ápice, Deus resolveu castigar a humanidade com um dilúvio, não sem antes escolher entre os homens, alguém da linhagem de Adão e Eva que não tinha sido corrompido. Esse homem era Noé, um homem de Deus a quem mandou construír uma arca que permitisse acolher cada par de espécies de seres vivos, incluindo a espécie humana, tendo Noé e a sua família, como representantes da espécie humana, para a criação de um Novo Mundo. Desta forma, Deus deu uma segunda oportunidade à Humanidade para recomeçar do zero.


O mais interessante do filme é que a dada altura, Noé percebe que afinal os únicos seres não corrompidos do planeta eram apenas os animais e as plantas, porque ele mesmo e a sua família estariam corrompidos pela inveja, cobiça, egoísmo, enfim pelos pecados que assolam toda a humanidade. E que também ele e a sua família deveriam morrer, e os únicos a sobreviver deveriam ser apenas os animais e as plantas, porque se ele e a sua família sobrevivessem ao dilúvio e se se reproduzissem na terra, tudo voltaria ao mesmo. Isto porque o Homem era o verdadeiro e o grande destruídor do planeta, e por isso deveria ser destruído da face da terra. Imediatamente ele percebeu que Deus não o tinha escolhido para aquela missão por ele e a sua família serem os filhos de Deus não corrompidos, ou por pertencerem à linhagem não corrompida, mas porque ele, Noé, seria o único capaz de levar o propósito de Deus até ao fim: que seria matar-se a si e a toda a sua família, acabando assim de uma vez por todas com a humanidade no planeta Terra, e deixando apenas o planeta habitado pelos animais e plantas.


A partir deste momento, o filme retrata a angústia da família de Noé perante esta decisão do patriarca de os matar a todos, e a firmeza e obstinação de Noé em levar esta sua missão até ao fim, contra tudo e contra todos, e até contra a sua dor de ter que matar a sua própria família. Cada membro da família teria que matar o outro, e o último sobrevivente seria o filho mais novo de Noé, que por ser rapaz não se reproduziria e acabaria por perecer.

Num dado momento do filme, percebe-se que a nora de Noé está grávida, e o sofrimento da família ainda é maior, porque Noé mantém-se obstinado em manter a sua promessa. E a ideia seria que se fosse uma menina a nascer teria que ser logo morta à nascença para garantir que a espécie humana não se reproduzisse.

No momento do parto, percebe-se que não somente nasce uma menina como duas gémeas, ou seja, duas meninas. No momento em que Noé vai para matar as meninas, ele é acometido por um Amor imenso pelas meninas, e não consegue cumprir com a sua promessa. Toda a família sobrevive, mas Noé a partir de então entra num estado depressivo profundo, por não ter conseguido cumprir a sua promessa com Deus e vive apartado da família desde então.

No final do filme, numa conversa com a sua nora, Noé percebe que afinal foi o escolhido de Deus por uma única razão: no momento em que tivesse que decidir pelo fim da humanidade só ele poderia escolher pela compaixão e Amor para com a humanidade.

Reflexões:

Na minha perspectiva, existem movimentos muito interessantes no filme, como se o filme metaforizasse A caminhada do Ser da Velha para a Nova Consciência.

Num primeiro momento o filme apresenta:

Uma visão patriarcal e punitiva de Deus que condena a Humanidade ao Dilúvio;

Uma visão de Deus como Um Poder externo ao ser humano, a quem temos que recorrer como súplica, e da qual ficamos à espera de resposta;

A ideia que Deus está separado do Homem, e que a Humanidade corrompida está separada de Deus;

A ideia dos escolhidos de Deus: que existem os homens de Deus (os escolhidos) e os homens corrompidos e que como tal têm que ser aniquilados;

Num segundo momento do filme:

A ideia de que Todo o ser humano é um ser corrompido;

A ideia da mulher que é a que garante a perpetuação da espécie, e a perpetuação desta corrupção e como tal tem que ser aniquilada;

A ideia que não existe salvação para a humanidade, porque o Homem vai sempre corromper a vida no planeta;

Num terceiro e último momento do filme:

A ideia que a sobrevivência da espécie humana é garantida quando há compaixão;

E que é o Homem e não Deus quem garante a sobrevivência do Planeta e a perpetuação e evolução da vida nele, inclusive da espécie humana se tiver compaixão;

Foi interessante que surgiram vários insights ao ver este filme, nesta quadratura que o Planeta está a passar, com os ensinamentos da Egrégora cria Ti na Luz, e com a aula de hoje do Avatar 2.0.

Os insigths foram sobre os seguintes conceitos:


A) O conceito de Deus Patriarcal (referido pela Vovó Maria Conga)

Como afirmou a Vovó Maria Conga hoje na aula do Avatar 2.0, a humanidade viveu desde sempre sob o jugo de uma imagem de um Deus Patriarcal, que eu acrescento, Um Deus que está sentado num trono. Isto é, um Pai com Poder porque está sentado num trono. E em boa verdade um Deus Pai que é um Rei inacessível para a maioria, porque tal como na vida real só tem acesso ao trono do Rei uma pequena minoria. Um Deus Pai que julga e condena, que salva e protege, que cura ou castiga. E esta imagem está tão enraizada em nós, até ao mais ínfimo do nosso ser, gravado no nosso ADN como um arquétipo, que ressoa a todo o momento na nossa vida, de forma consciente ou inconsciente. Este arquétipo exerce influência em cada ser humano, seja este crente ou não, de forma consciente ou inconsciente, colocando-o numa estrada de mão dupla: ou por um lado como vítima, vítima da vida, dos infortúnios, das doenças, das pandemias, retirando-lhe o poder e responsabilidade da sua própria vida e colocando-o à mercê deste Pai Clemente que o irá perdoar, curar e salvar. Ou, então, coloca o indivíduo como irremediavelmente culpado, porque afinal somos todos culpados, não fossemos nós seres imperfeitos, todos filhos e descendentes do pecado; e como imperfeitos que somos, procuramos a perfeição nesta caminhada que é a vida, afim de sermos salvos para vivermos no paraíso do qual os nossos pais foram expulsos. E por isso olhamos para as nossas imperfeições e para a imperfeição da humanidade como algo negativo, como algo a combater, ou a aperfeiçoar.

E perante este raciocínio, eu coloco uma questão?

E se a imperfeição fosse perfeição em si mesma? E se o que chamamos de negativo fosse o positivo em sim mesmo, isto é, o outro lado da perfeição?

Todos consideramos que o Jardim do Éden era a perfeição em si mesma (o Paraíso), para o qual todos queremos ascender, não é assim? Uma criação perfeita de Deus?

Mas será que uma criação perfeita de Deus teria algo como uma serpente que viria a corromper a humanidade, se a serpente fosse imperfeita? Como é possível esta criação perfeita de Deus ter algo imperfeito como uma serpente que corrompe as suas criações divinas, Adão e Eva? Ou será que a serpente não é mais do que o veneno e o antídoto em si mesmo? Não representará a serpente a doença e a cura em sim mesma? O problema e a solução em si mesma? Não será a serpente, e o que ela representa, a semente e o fruto da perfeição?

Este raciocínio conduz-me a outra questão: será que o ser humano é um ser imperfeito porque mata, porque nutre sentimentos como inveja, ódio, desprezo, porque se aproveita dos outros, porque luta e destrói, porque se aparta de outros grupos, porque rivaliza com outros grupos?

Mas e o que falar dos animais e das plantas? Julgamos nós que o mesmo não acontece com os animais e as plantas? Os animais também não lutam entre si, também não disputam o território, também não rivalizam a fêmea? E algumas plantas, por sua vez, também não provocam prejuízos sobre outras plantas se crescerem juntas? Por exemplo, as chamadas plantas parasitas, que têm meios de penetrar nos tecidos das árvores e utilizar os seus nutrientes, podendo mesmo causar prejuízos para a árvore. E as tão conhecidas ervas daninhas que tanto podem prejudicar a agricultura?

Não será a imperfeição humana e aquilo que chamamos de imperfeição da vida, a perfeição em si mesma? Tal como a serpente, não serão as imperfeições da humanidade a doença e a cura, o veneno e o antídoto, o problema e a solução em si mesmo, fazendo com que tudo seja tão perfeito?

Porque afinal, não terá sido com estas imperfeições (guerras, ódio, doenças), que a Humanidade tem aprendido e crescido? Não representarão estas imperfeições a Serpente do Jardim do Éden, e a Maçã o conhecimento e aprendizagem que delas resultam?


B) As faces de Deus: (outra questão colocada pela Vovó)

Este Deus Patriarcal, é no fim de contas uma das faces de Deus, como a Vovó Maria Conga colocou. E Este Deus Patriarcal foi um arquétipo talvez útil para a Humanidade a partir de certa altura. É um arquétipo que representa uma energia de Poder, uma energia Racional, que Disciplina e Organiza. Pode ser uma energia que separa, que impulsiona pela força e pelo domínio, mas é também uma energia que realiza e que promove a acção. E esta energia, que muitos entendem como energia masculina, e que nada tem a ver com o género, pode ter sido levada ao extremo na caminhada da humanidade, conduzindo-a ao lugar onde se encontra actualmente. Mas pode também ter sido a energia impulsionadora que ajudou a tirar o homem das cavernas e a sobreviver aos desafios que a selva lhe trouxe.

Passado este estágio da humanidade, estará na altura do homem conhecer a outra face de Deus, o arquétipo feminino, a energia criativa, que idealiza, que intui. Será importante para a humanidade portanto resgatar a sensibilidade, o altruísmo, a amorosidade e humildade. Será importante talvez para a humanidade voltar-se para si, para a sua essência, espiritualidade e introspecção.

Ao equilibrar o Yang (representado pelo masculino e hemisfério esquerdo), e o Yin (representado pela energia feminina e hemisfério direito), permitir-nos-á criar a ponte que comunica com os dois lados, da mesma maneira que o corpo caloso permite a comunicação com os nossos dois hemisférios. E com estas vias de comunicação restabelecidas entre os dois lados de uma mesma moeda, que é o yang e o yan, que é o masculino e o feminino, construímos um Novo Mundo, muito menos egoísta, separista e bélico, e muito mais humanizado, assente no amor e compaixão, na cooperação e no bem estar colectivo.


C) A Nova Consciência

E como construir este Novo Mundo? Será com um novo dilúvio? Será com uma Nova Arca de Noé? Será com uma Pandemia que dizime a humanidade à face da Terra?

Talvez sim, talvez esta pandemia seja a nova serpente que venha expulsar o Velho e trazer o Novo, ajudando a transformar a Terra num Novo Jardim. Talvez estejamos a ver a morte para a Velha Consciência e a semente da Nova Consciência.

Talvez o movimento para a Nova Consciência não seja apenas um movimento de graduação individual, de aperfeiçoamento e aprendizagem de cada indivíduo, de cada um no seu ritmo apenas. Talvez esse movimento para a Nova consciência seja um movimento colectivo, muito embora impulsionado pelo somatório de movimentos individuais.

Como diz Carl Young: O homem do passado está vivo dentro de nós e em última análise o destino das grandes nações não é senão a soma das mudanças psíquicas dos indivíduos.

Foi Young que nos trouxe o conceito de Insconciente Colectivo, e agora a física quântica reforça esta ideia com o conceito de campos morfogenéticos. Estes campos morfogenéticos armazenam como que uma memória colectiva, sob o qual todos estamos submersos, ou dentro do qual nos movimentamos, e que exerce uma influência sobre cada um de nós, ou sobre todos colectivamente. Isto significa que quando algo se desenvolve nesse campo, isto será repetido noutro lugar ou noutro tempo porque está armazenado numa memória. Isto por exemplo acontece na Biologia, no mundo inorgânico, por exemplo, o surgimento de um novo cristal, será armazenado de maneira que em outro local, sob condições semelhantes se origine o mesmo cristral, sob a influência do campo morfogenético. Também certos destinos de famílias que se repetem. Ou outro exemplo da influência deste campo, são as invenções, ideias e teorias que certos investigadores desenvolvem, e que sem qualquer contacto e partilha, noutro lado do planeta outro grupo de investigadores desenvolvem as mesmas ideias. O exemplo também de certas epidemias ou pandemias que de tempos a tempos, a partir de certas condições, voltam a assolar a humanidade, tal como a conclusão do estudo sobre as pandemias que a Márcia fez.

Isto leva-me ao seguinte questionamento:

Será que o destino da Humanidade tem estado sob a influência de uma memória colectiva que está presa numa Linha de Tempo e de Espaço (seja ela chamada de Inconsciente Colectivo ou Campo Morfógenético)?

E será que o movimento para a Nova Consciência será um movimento que nos faz sair do Inconsciente Colectivo (que está preso numa Linha de Tempo e Espaço onde repetimos velhos padrões, tanto da nossa linha ancestral, como da Humanidade como um Colectivo), para uma Consciência Colectiva, onde nos recriamos não apenas como indivíduos e como unidade em si mesma, mas como um Todo do qual fazemos parte, com uma consciência não individual mas sim colectiva sem perder a nossa unidade identidade?

E como consciência colectiva partilhamos um mesmo pensamento que nos unifica, que nos complementa, sem perder a unicidade?

E será que esse movimento para a Nova Consciência se dá como um salto para fora da linha do Tempo e do Espaço?

E será que esse salto só é possível se tivermos duas posturas: Aceitação de tudo o que foi (de todas as nossas imperfeições individuais e colectivas); e Gratidão por tudo o que é, (por tudo o que a vida nos tráz sem julgamento de bom ou mau, de certo ou errado, pois afinal tudo é perfeito até mesmo a imperfeição)?

E que sempre que damos esse salto para fora da Linha do Tempo e do Espaço, para fora da nossa memoria colectiva, e entramos ou acedemos à nova Consciência, podemos arrastar o Colectivo, porque afinal imprimimos uma nova Memória, que exercerá uma nova influência no Campo?

Será que é assim que o Mundo pula e avança, nestes movimentos ou saltos para fora da Linha do Tempo, imprimindo novas memórias ao campo?

Não será a Nova forma da Humanidade encarar esta pandemia, já um salto quântico para fora da linha do tempo, e a criação de uma nova memória, e uma nova impressão digital para o Novo Mundo ou para a Nova Humanidade?

Todos estes questionamentos são apenas um esboço e um ponto de partida para um estudo que requer mais aprofundamento.


Dobradora do Tempo 2.0

Sandra Malo

20/03/2020

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